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Ativos de baixa liquidez elevam risco de rombo maior do Banco Master no BRB

Fundos com dívidas, ações desvalorizadas e imóveis da família Vorcaro elevam incertezas
Por Redação 28/01/2026 - 07:25
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Reprodução
Daniel Vorcaro, do Banco Master
Daniel Vorcaro, do Banco Master

O rombo provocado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB) pode ser maior do que os R$ 2,6 bilhões inicialmente estimados pelo Banco Central. A avaliação decorre do fato de que, para ressarcir o banco estatal, o controlador do Master, Daniel Vorcaro, repassou ativos de baixa liquidez, como fundos com alto volume de créditos inadimplentes, ações que perderam valor e imóveis ligados à própria família.

Em novembro, o Banco Central identificou que cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao BRB apresentavam irregularidades e determinou a devolução dos valores. O BRB informou ter recuperado aproximadamente R$ 10 bilhões, mas investigações preliminares indicam que parte significativa desse montante está concentrada em oito fundos ligados ao conglomerado de Vorcaro, hoje incorporados à estrutura do banco estatal.

Levantamentos apontam que esses fundos reúnem mais de R$ 800 milhões em créditos inadimplentes, além de investimentos em ações da Ambipar, empresa do setor de resíduos sólidos que está em recuperação judicial, e projetos imobiliários associados à família Vorcaro. Segundo o BRB, qualquer eventual necessidade de aporte de capital levará em conta todos os efeitos negativos identificados na avaliação desses ativos, análise que integra tanto a apuração do Banco Central quanto uma investigação independente conduzida pelo escritório Machado e Meyer, com apoio técnico da consultoria Kroll.

O maior dos fundos repassados é o Jeitto, voltado para crédito, com carteira superior a R$ 1 bilhão. Em dezembro de 2025, cerca de R$ 952 milhões estavam inadimplentes, o que exigiu um provisionamento de R$ 873 milhões. Esses créditos têm origem em empréstimos concedidos pelo próprio Banco Master, e um acordo previa a recompra de operações com atraso superior a 90 dias, mecanismo que deixou de ser cumprido ainda no primeiro semestre de 2025.

Outro fundo relevante é o Kyra, com carteira de R$ 882 milhões lastreada integralmente em ações da Ambipar, que sofreram forte desvalorização após o pedido de recuperação judicial da empresa. Situação semelhante afetou o fundo Texas I, cujo patrimônio líquido caiu de R$ 634 milhões, em setembro de 2025, para R$ 122 milhões em dezembro do mesmo ano, acompanhando a queda dos papéis da companhia.

Há ainda fundos imobiliários, como o Supreme Realty e o CMX Realty, que concentram investimentos em empreendimentos ligados a familiares de Daniel Vorcaro, incluindo projetos residenciais em Minas Gerais. Parte desses ativos envolve terrenos e empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida, além de participações societárias cruzadas entre empresas controladas por parentes do banqueiro.

O Banco Central já determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas relacionadas às transações com o Banco Master, mas o próprio banco estatal admite que o valor final do aporte necessário só será definido após a conclusão das apurações. Em nota, o Master afirmou que não houve transferência de ativos fora dos critérios contábeis e regulatórios, enquanto o BRB sustenta que todos os ativos recebidos estavam registrados no balanço do Banco Master e eram auditados e precificados conforme metodologias formais de avaliação.


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